jul 122011
 

Trilha Sonora para quem curte o dito cujo

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Hoje consigo interpretar o porque , desde que comecei a descobrir minha sexualidade, os meninos são grandes aficionados  pelo próprio órgão sexual. Longe dos fundamentos científicos – mas empiricamente – eu diria que homens adoram pintos. Tanto que, em banheiros públicos, homem faz xixi naquelas cubas enfileiradas onde alguns podem revelar e muitos esconder seus motivos de tanta comparação entre os garotos.

Quantas piadinhas e brincadeiras já foram feitas a respeito do “dote” masculino!

Com o tempo, um pouco mais conscientes, nos vemos  impotentes diante do irremediável tamanho de nossos miúdos e, mais adultos, passamos a incrementar nossas necessidades de afirmação masculina na busca louca da grana, do poder e de todos os bens aparentes que essa nova situação permite comprar.

A questão, entretanto, ainda está lá. O tamanho do órgão passa então a ser medido pelo tamanho da nossa conta corrente, a qual dará a falsa impressão de poder e de consumo.

Continuamos olhando uns aos outros.  Desta vez medindo o tamanho do dito cujo na potência dos automóveis do ano, nas fachadas, nos bens acumulados, nas griffes, na competição.

Os menos favorecidos de nós, recorremos  ao pinto coletivo, os times de futebol, por exemplo, onde as torcidas se degladiam nessa auto-afirmação das dimensões de sua masculinidade. Chegam a morrer e matar por causa de 11 homens peludos.

Quanto dessa necessidade de afirmação através de um símbolo e de sua “metragem” diz da pobreza e falta de sensibilidade para conosco próprio e com nossas companheiras?

Ou acreditamos que exista o orgasmo uterino ?! Se é que pensamos na satisfação de nossa parceira, só o orgasmo uterino pra justificar que tamanho é documento.

Ao que me consta as possibilidades de dar e receber prazer da pessoa amada estão logo ali, na portinha –  ou na sala onde descansa o discutível ponto G… e não vai muito além.

Isso para ficar somente no ato propriamente em si. Sem falar de todas as circunstâncias e todas as brincadeirinhas permitidas a quem, além do mecanismo da sexualidade, visualiza uma interação de sentimentos e afinidades.

Porque então a preocupação com as dimensões do intruso?

Preocupações estas que acabaram se esparramando também nas conversinhas femininas  cujas vítimas – (possivelmente  dos conceitos cometidos por grandes intelectuais brasileiras do tipo loira-bunduda-burra, que abundam na mídia) – transformaram-se muitas delas – ruivas, morenas, negras, brancas, loiras – em grandes interessadas no polinômio:

tamanho do pênis/grana/aparência/status . Esqueceram-se definitivamente do acolhimento, da delicadeza, da elegância natural.

Muitas delas, entraram de tal forma nessa ideologia, que passam a disputar com os homens esse plano artificial. Tudo em nome de um feminismo manco e burro. O valor das mulheres e a luta por sua valorização certamente estão muito além disso.

Para muitos de nós, em breve haverá um banheiro comum, cheio daquelas cubinhas, onde homens e mulheres, indistintamente, poderemos satisfazer uns aos outros a curiosidade que temos a respeito das dimensões dos pênis alheios: esta comprou uma van, aquela esta usando tal griffe….o sujeito tem um iate…

Homens e mulheres cuspiremos no chão, falaremos alto em  restaurantes, buzinaremos freneticamente no trânsito e mostraremos o dedo do meio, furaremos filas nos bancos, empinaremos nossos narizes diante dos desvalidos e continuaremos a abaixar as cabeças àqueles de nós que possuírem as melhores contas bancárias. Tudo porque imaginamos serem eles os portadores dos maiores pintos.

Continuaremos achando que a vida é uma festa de consumo irracional. De turismo frenético. De agendas quanto mais lotadas melhor. De falta de tempo pra viver…     Continuaremos trepando em vez de,  muito maior, vivendo e amando

Continuaremos achando que a felicidade existe mas custa caro

Aldo Della Monica

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