O chão de caquinhos está lá ! Resistindo em muitos quintais paulistanos

O chão de caquinhos do meu quintalzinho continua assim.
Verdadeira pièce de résistance àquilo em que transformaram o meu Tatuapé velho de guerra: cheio de espigões,
que escondem nosso céu e que acumulam carros e mais carros por suas ruas.
O Tatuapé não é mais meu. Mas meu quintal continuará sendo.
Com o mesmo tanque onde mamãe se debruçou tantas vezes
para lavar nossas roupas. Até que conseguíssemos a primeira máquina de lavar.
Com o mesmo encanto que todos os quintais
provocam nos meninos e meninas.
Com todos os cantos de nosso cotidiano.
O grande esconderijo dos meus segredos da adolescência.

Aldo Della Monica


A origem do chão de caquinhos de cerâmica

Famosos entre as décadas de 40 e 50, os pisos feitos de cerâmica quebradinha, popularmente conhecidos como caquinhos, ainda resistem em alguns quintais da cidade.

“Mas são cada vez mais raros”, diz o pesquisador Humberto Pastore, de São Caetano do Sul. Foi nesta cidade da Grande São Paulo, aliás, que a moda teve início.

Havia uma fábrica, a Cerâmica São Caetano, que produzia pisos de cerâmica basicamente de três cores: vermelha, amarela e preta.

“Os operários pediam para levar para casa as peças quebradas, que seriam descartadas”, conta Lilian Crepaldi, jornalista e historiadora pela Universidade de São Paulo.

Conforme os empregados da fábrica decoravam as residências com os ladrilhos, a procura pelos cacos aumentava. Em um determinado momento, a empresa, que encerrou as operações em 1997, chegou a quebrar propositalmente os pisos para comercializá-los em pedaços.

“Foi um movimento do operariado são-caetanense, que se espalhou pela classe média da cidade e depois para a classe média paulistana também”, completa a historiadora.

Cerâmica São Caetano que usado em muito chão de caquinhos

Cerâmica São Caetano S/A, localizada no município de São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo, foi uma das maiores e mais importantes indústrias cerâmicas do Brasil. Fundada no início do século XX, por Roberto Simonsen, produzia telhas, tijolos refratários e cerâmica de revestimento, sendo a pioneira na produção de ladrilhos cuja qualidade chegou a ditar o padrão de excelência de uma época. A empresa teve grande influência nas áreas política, econômica e social do distrito, e posteriormente, município de São Caetano do Sul, no Estado de São Paulo, encerrando suas atividades na última década do mesmo século.[1]


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Móoca: Orra meu, lá a italianada mantem a tradição

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