– Gorda Velha ! (vixi, a casa caiu !”

– GORDA VELHA ! (…. vixe, a casa caiu ! )
► ► Por Aldo Della Monica
Cabelos devidamente chapinhados , loiros wellaton com luzes recém adquiridas. Óculos escuros da grife mais fashion.

Cachorrinha branquinha com fitinhas rosa na cabeça colocada no banco ao lado e olhando pela janela do passageiro.

Cheia de si e de mil e um pós em seu rostinho de “princesa”, monta em sua Tucson, que o marido lhe comprou a 60 prestações.
Vai descer em direção à Radial Leste, lá em baixo.

No moderno som bluetooth, Zezé di Camargo disputa espaço entre outros….. mas “só sertanejo universitário” – que ela não gosta de “ouvir porcarias”.

E assim vai dividindo a atenção, música, trânsito e o inevitável smartphone 15a. geração que o Tavinho também lhe deu de presente, devidamente pregado na orelha.

Primeira preferencial. Ela cruza graças à gentileza de uma Ford Ka (sim…. não é gentileza de um outro motorista)…. Ela só reconhece pessoas pelas marcas de seus carros.

Como que uma Bundchen desfilando, ela passa sem sequer olhar para o Ford Ka que lhe deu passagem…muito menos um aceno de agradecimento. Afinal, quem esse: – Ford Ka pensa que ele é ?

Já na rua principal que desce para os “baixos do bairro” ela se depara com um carrinho de catadores.

Nesse momento exibe seus dotes de Maguila e golpeia a barulhenta buzina de tal modo que, de susto, o catador quase se faz atropelado pelo próprio carrinho pesado de papelões, garrafas e latas.

Mais à frente não hesita em continuar na mesma velocidade, apesar de algumas pombinhas “estacionadas”, que procuravam bugigangas pra comer no meio do asfalto:
“as pombinhas sentem a trepidação e fogem” – é o que ela pensa.

A última vez que esmagou uma, ela nem havia percebido, preocupada que estava com a Branquinha que latia feito doida ao ver um vira-latas andando na calçada.

Sertanejo universitário por uma orelha, smartphone na outra e uma faixa de pedestre à frente. Percebeu, sim, a velhinha que atravessava mas não diminuiu a marcha….

Para a velhinha parecia que a Tucson vinha acelerando ferozmente só para alcançá-la no meio da faixa.

Foi divertido ver a idosa buscar forças sabe-se lá onde para poder alcançar a calçada.
Já quase na Radial, uma última faixa de segurança para os pedestres que acessam o parque.

Entre o Zezé de Camargo berrando “… é o amo ô or”, a amiga que continuava falando sem parar em sua orelha telefônica e a Branquinha que, agora, quase se projeta para fora da Tucson, interessada em um gato vadio, desses de rua….

…ela se distrai e, por muito pouco não despacha para o IML um rapaz saradão que atravessava em direção ao parque, onde iria dar aulas de Taekwondo.

Que pena !…. agora era tarde!….: Poxa, ela nem havia percebido que um rapaz saradão daqueles tentava atravessar bem à frente de sua Tucson…

Pior….

o lindão gritou indignado: – GORDA VELHA !!!!

Vixe, a casa caiu.
(aldo della monica)


A imagem que ilustra esta postagem é a foto de uma escultura de Fernando Botero

Fernando Botero Angulo (Medellín19 de abril de 1932) é um artista figurativista colombiano, cujo estilo é chamado por alguns de “Boterismo”, o que lhe dá uma identidade inconfundível.

Suas obras destacam-se sobretudo por figuras rotundas, o que pode sugerir a estaticidade da humanidade. Percebe-se a sua escultura como uma crítica social, especialmente no que diz respeito à ganância do ser humano.

Com 15 anos, Botero começa a vender seus primeiros desenhos. Trabalhou como ilustrador para o jornal El Colombiano. Sua primeira exposição foi em 1951, em Bogotá.

Após participar do Salão dos Artistas Colombianos e ganhar o 2º lugar, parte para realizar seus estudos em Madri, na Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, onde expôs aos mestres espanhóis o seu interesse por arte pré-colombiana, colonial espanhola e pelos temas políticos do muralista mexicano Diego Rivera.

Sua formação teve início em 1953, quando ingressou na Academia de San Marco, em Florença, na Itália. Lá, estudou a história da arte e os afrescos, que fizeram do início de sua obra marcado pela influência do renascimento italiano.

Em 1955, retorna à Colômbia e realiza uma exposição na Biblioteca Nacional. É durante essa época que experimenta com as formas de seus personagens, expandindo seu volume.

Em 1957, parte para os Estados Unidos e realiza sua primeira exposição por lá, sendo em 1958 nomeado professor da Academia de Belas Artes e permanecendo parte do corpo docente até 1960.

Botero passa a residir em Nova York e em 1965 abre seu primeiro estúdio na cidade. A partir daí, passa a realizar exposições por todo o mundo, tendo como eixo Paris, Bogotá e Nova York. É só em 1973, em Paris, que cria sua primeira escultura.

Botero, se lançou ao mundo com a releitura da famosa obra de Jan van EyckO Casal Arnolfini, em seu quadro dominavam as formas redondas, assim como fez com a famosa Mona Lisa de Leonardo da Vinci.

É caracterizado como um artista bastante politizado, sobretudo por sua preocupação com a violência na América Latina. Essa preocupação é refletida em suas obras.

A sua exposição “Dores da Colômbia” conta com 67 obras com 36 desenhos, 25 pinturas e seis aquarelas.

Nela, o artista coloca em evidência a violência causada pelos conflitos envolvendo os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), exército e os grupos paramilitares.[1]

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