Mococa: A tranquila cidade do Nordeste Paulista

A história de Mococa se inicia durante a primeira metade do século XIX, quando errantes provindos de Minas Gerais, sobretudo de Aiuruoca e municípios adjacentes, ao saberem da alta fertilidade do solo na região, iniciaram o desbravamento das grandes matas virgens e deram inicio as primeiras ocupações. Gerando subsequentemente grandes propriedades para o cultivo do Café e utilizando-se de mão de obra escravizada africana no processo.[10]

Como principais fundadores, destacam-se Gabriel Garcia de Figueiredo, o “Barão de Monte Santo” e Venerando Ribeiro da Silva, responsável pelo traçado urbanístico das ruas e praças do município emergente. No cerne do período imperial, o povoado, até então conhecido como São Sebastião da Boa Vista, é elevado à condição de capela curada, no ano de 1841. Poucos anos depois, em 1846, é implantada a primeira lavoura cafeeira, gerando assim, como consequência, a ocupação e o desenvolvimento urbano.[11]

A primeira igreja de Mococa, posteriormente conhecida como Matriz Velha, foi construída também em 1846, dedicada a São Sebastião, o padroeiro da cidade. Por sua rusticidade, acaba perdendo relevância durante o fim do século XIX. Deste modo, monta-se uma comissão incluindo nomes do alto escalão político e econômico de Mococa, incluindo o Barão de Monte Santo, para a inauguração de uma nova Matriz, fato ocorrido em 1896. A antiga igreja matriz veio a ser demolida em 1919, dada suas precárias condições. Sendo reconstruída em 1921, com estilo arquitetônico eclético, pela iniciativa de Iria Josepha da Silva e seu marido, Francisco Figueiredo. Tendo sua arquitetura projetada pelo renomado arquiteto italiano Gherardo Bozzani.[11]

Passou, em 1857, a ser considerado uma freguesia. Em 1871, passou à condição de vila e em 1875, pela iniciativa de Gabriel Garcia de Figueiredo junto ao governo imperial, veio a ser considerada oficialmente uma cidade. Após 1888, data da abolição da escravatura, fez-se necessária a substituição da mão de obra escrava. A cidade passou, então, a receber uma massa de imigrantes, em sua esmagadora mioria de italianos (cerca de 10.000) e, em menor escala, de alemães, austríacos, espanhóis, portugueses e libaneses.[12]

A partir da década de 1890, Mococa passou pelo seu período mais áureo, onde o café pôde proporcionar grandes avanços para a cidade, como por exemplo: a construção da Matriz Nova, a igreja de São Sebastião.

Como resultado, houve uma fusão cultural e cosmopolita em pleno “sertão do pardo”, período este conhecido como a “belle époque caipira“, qualificando Mococa como uma das cidades produtoras do melhor café do Brasil. A florada civilizadora do café tornou os cafeicultores da cidade parte da elite social brasileira. Porém, entre 1914 e 1918, período da Primeira Guerra Mundial, ocorreu a desorganização do comércio internacional, desestruturando a economia cafeeira devido à retração dos mercados consumidores.

A partir desse período, os fazendeiros passaram investir na criação de gado de leite. Em 1932, a cidade foi um dos fronts da Revolução constitucionalista no conflito entre mineiros e paulistas.

Em 1959, foi inaugurado o Cine Mococa, um dos mais tradicionais cinemas da região, mantendo sua arquitetura de época intacta. Três anos mais tarde, em 1963, Mococa recebeu a presença do presidente da república, João Goulart, onde inaugurou o Mercado Municipal, o conhecido ‘Mercadão’.

Durante os anos de chumbo, houve alguns casos onde a ditadura operou, como na prisão de Milton Gagliardi, militante comunista da época, que fora transferido para Cajuru, tendo sido solto algum tempo depois.

Relevante também é a presença de Carlos Lamarca (capitão do Exército na época, conhecido por desertar o mesmo e se juntar a luta armada), em 1967, no Tiro de Guerra 02-022, para realizar uma das muitas inspeções técnicas que o TG passava. Nessa época, seus ideais revolucionários já começavam a se manifestar.

Na década de 1980, especificamente em 1983, um dos filhos mais ilustres de Mococa retornava a sua terra natal após muitas décadas de ausência: Bruno Giorgi.

Este renomado escultor deixou em sua cidade duas obras importantíssimas: A Mulher de Mococa, na praça Marechal Deodoro e Os Fundadores, na praça Epitácio Pessoa, ambas localizadas no centro da cidade.

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