O cansaço dos Beatles estampado na capa de Beatles For Sale

O cansaço dos Beatles estampado na capa de Beatles For Sale – E mais 14 canções pra você curtir

O sucesso de “A Hard Day’s Night” nos cinemas impulsionou ainda mais o fenômeno chamado Beatlemania, levando os Beatles a se apresentarem em exaustivas turnês ao redor do mundo, além das tradicionais aparições em programas de rádio e TV. Com tantos compromissos e uma vida tão cansativa, o ano de 1964 trazia os primeiros sinais de desgaste à banda.

Devido a uma inacreditável seqüência de shows que passou por países como Austrália, Nova Zelândia, Dinamarca, Finlândia e Suécia, além de outra grande turnê pela América do Norte, com 31 apresentações em 32 dias, seria impossível atender à pressão imposta pela gravadora, que queria um novo disco para o Natal, sem recorrer a alguns covers que já faziam parte do repertório de seus shows.

Isto desagradou a crítica, que esperava uma continuidade do disco “A Hard Day’s Night”, que só continha composições Lennon/McCartney. Apesar disso, o novo disco mostrava um amadurecimento musical do quarteto, com arranjos de “country & western” misturados ao “rockabilly” e letras com influências de Bob Dylan.

Esse cansaço está refletido não só nas letras e arranjos, mas nas fotos do encarte. Na capa, os Beatles aparecem sérios, fotografados em pleno outono no Hyde Park de Londres, por Robert Freeman (mesmo fotógrafo de “With the Beatles”).

Ao que tudo indica, a sessão de fotos foi tranqüila. Paul McCartney relembrou há alguns anos: “A capa do disco foi bastante agradável, com fotos de Robert Freeman. Fizemos uma sessão no Hyde Park, perto do Albert Memorial, com duração de mais ou menos duas horas e teve algumas fotos razoáveis, para utilizar”.

cansaço

Um detalhe que chamou a atenção de todos foi penteado de George Harrison. Paul McCartney comenta que Robert Freeman se impressionou e comparou o cabelo do beatle a uma “linda folha de nabo”.

“Beatles For Sale”, lançado em 4 de dezembro de 1964, foi o primeiro álbum lançado pela banda a vir em formato “gatefold” (capa dupla desdobrável, com encarte na parte interna). A imagem de dentro do encarte mostra os Beatles em frente a um painel de fotos, o que talvez tenha servido de inspiração para a capa do Sgt. Pepper’s. Mas não há provas disso. O título é uma referência ao comércio feito em cima da imagem do grupo, transformando-os em “produtos à venda”.

o cansaço dos beatles
Contracapa com texto de Derek Taylor

Outro detalhe muito interessante do encarte é um texto* escrito por Derek Taylor, que aparece na contracapa:

“Este é o quarto LP dos Beatles. “PLEASE PLEASE ME”, “WITH THE BEATLES”, “HARD DAY’S NIGHT”. Eis os três. E agora… “BEATLES FOR SALE”. Os Beatles à venda. Não quer dizer que os Beatles estejam à venda.

Mesmo porque não há dinheiro que os pague. Trata-se apenas do LP e este você pode comprar. O dinheiro não é tudo. Há uma história inestimável entre estas capas. Nenhum de nós está ficando mais novo.

Quando, daqui a 20 anos ou mais, uma criança, entendida em música, estiver num piquenique em Saturno, e lhe perguntar quem eram os Beatles – “Você os conheceu na época?” – não tente explicar tudo sobre os cabeludos e sua turbulência! Basta à criança tocar algumas faixas deste LP e logo entenderá tudo.

Os jovens do ano 2000 extrairão da música mais sensação e bem estar do que sentimos hoje, porque a mágica dos Beatles, desconfio, não tem limite de tempo nem idade. Ela venceu todas as barreiras. Acabou com todas as diferenças de raças, idades e classes.

É venerada pelo mundo inteiro. Este LP tem alguns números agradáveis da música Beatle. Tem, por exemplo, oito novos títulos trabalhados pelos incomparáveis John Lennon e Paul McCartney, e mais 6 números que foram escolhidos pela riqueza rítmica da extraordinária década passada, entre eles, composições como KANSAS CITY e ROCK AND ROLL MUSIC. Maravilhoso.

Muitas horas de trabalho árduo foram gastas na produção deste LP. Não é uma mistura de “vale tudo” pra ganhar dinheiro. No mínimo, 3 canções de Lennon-McCartney foram seriamente consideradas como lançamentos de compactos simples, até que John apareceu inesperadamente com “I FEEL FINE”. Estas 3 foram “EIGHT DAYS A WEEK”, “NO REPLY” e “I’M A LOSER”.

Cada uma teria estourado os primeiros lugares, mas estão como adorno e um exemplo para outros artistas. Como em outros LPs, os Beatles levaram mais tempo com o sucesso do que o mercado exige normalmente.

Há alguns truques de gravação que os Beatles e seu produtor, George Martin, introduziram, com algumas inovações, tais como: Paul num órgão Hammond, em MR. MOONLIGHT, e, pela primeira vez, George Harrison tocando um velho tambor africano, porque o baterista Ringo estava tocando bongô.

O tambor de George continuou na trilha sonora, mas o bongô de Ringo foi retirado depois, na mixagem.

Ringo toca tímpano, em EVERY LITTLE THING, e na faixa “ROCK AND ROLL MUSIC”, George Martin se junta a John e Paul no mesmo piano. Em WORDS OF LOVE, Ringo aparece tocando caixa.

Além disso, é um disco confeccionado em 1964. O melhor de seu tipo no mundo. Há pouca coisa ou nada neste LP que não possa ser reproduzido no palco, embora os estudiosos e críticos da música “pop” saibam que nem sempre é o caso.

Ei-lo, afinal. Ainda é o melhor LP, inteiramente definido: John, Paul, George e Ringo – cheio de tudo que fez dos quatro a maior atração que o mundo já conheceu. Para aqueles que gostam de cada um neste LP, há detalhes ao lado, nos títulos e nas músicas.

DEREK TAYLOR

FONTE: CANAL DOS BEATLES

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