Roy Rogers, o televizinho e o cãozinho inconveniente

Roy Rogers, o televizinho e o cãozinho inconveniente

Dona Aracy provavelmente nunca imaginou. Mas ela guardava, na prateleira de sua cozinha uma preciosidade, aos olhos deste menino.

Era exatamente uma lata de Toddy.

Vez ou outra, quando eu ia assistir a algum episódio do Rin Tin Tin ou Roy Rogers em sua casa, ela nos brindava com um saboroso copo daquela novidade deliciosa. Naqueles tempos era comum a existência de um tipo chamado “televizinho”. Nem todos ainda tinham comprado seu primeiro aparelho de TV. Meu pai, por exemplo, só veio a comprar nossa primeira TV Philco, um ou dois anos mais tarde.

Os aparelhos de TV ainda não haviam alcançado o status de verdadeiro altar dos lares. Eram instaladas alí mesmo nas salas de jantar, as quais, provavelmente, só eram usadas em ocasiões especiais. Ou seja, ainda não eram comuns os sofás onde mais tarde, as famílias se sentariam para prestarem seu culto diário à programação televisiva.

Não havia sofás e nós, os meninos, sentávamos ali, no tapete da sala mesmo, aguardando ansiosamente os tiros de espoleta do revólver do Roy Rogers ou os latidos do famoso Rin Tim Tim.

RIN TIN TIN – Por Photographer-Robert R. Blanch, Minneapolis.

Foi em um desses episódios, muito entretidos com as aventuras que aconteciam na TV, que ocorreu um fato inusitado…. e surpreendentemente molhado.

Dona Aracy tinha um cachorrinho em casa. Lembro-me vagamente de que ele até que era bonzinho, embora às vezes não se mostrasse lá muito amigável nos primeiros contatos.

Enquanto eu e o Hemir assistíamos à TV, em dado momento, senti um quentinho úmido atingindo minhas costas… Era o cachorrinho que resolvera tomar-me como se eu fosse seu poste preferido.

Possivelmente com um gosto indescritível e absoluta mira, o bichinho simplesmente deu sua mijada nas costas deste entretido televizinho, ensopando não só minha camisa mas também o tapete da Dona Aracy.

Há alguns anos, relembrei essa história para o Hemir e ele me confessou:

-“…realmente, aquele cãozinho era muito temperamental”.

– Pô, Hemir, só agora, mais de 50 anos depois, você vem me contar isso ! rs

MEU QUADRO TORTO NA PAREDE

Deixe uma resposta